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Programa de Pós-Graduação em Educação - ProPEd

Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

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A DIFERENÇA CULTURAL NO CONTEXTO DA PRÁTICA:

TRADUÇÕES CURRICULARES

 

 

Este projeto tem como ponto de partida conclusões das pesquisas Entre a bolsa e o mp3: diferença adolescente e dialogia na regulação do coletivo escolar (2005-2008), minha tese de doutorado, Currículo como entrelugar identitário: raça, gênero e sexualidade no currículo (1971-2001) e Currículo de Ciências: uma abordagem cultural, estas últimas coordenadas pela professora Elizabeth Macedo. Tais investigações identificaram na Multieducação – proposta curricular da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, que há quatorze anos conta com diversas estratégias de ampliação e consolidação da sua influência – uma clara sensibilidade em relação à dimensão cultural das questões educacionais, que contrasta com o caráter individual e referido à psicologia percebido no tratamento da diferença nesse documento. Com abordagem prioritariamente discursiva, esta pesquisa propõe investigar como os sujeitos presentes no espaço escolar (alunos, funcionários, gestores e professores) traduzem esse currículo, no dia a dia do seu fazer pedagógico. Para tanto, a observação etnográfica de uma escola dessa rede se mostra como caminho apropriado de pesquisa, na medida em que é coerente com o enfoque discursivo aqui proposto, complementando-se com pesquisa documental e entrevistas com esses sujeitos. Será priorizada a investigação das séries mais avançadas, envolvendo estudantes adolescentes, funcionários, professores e gestores que com eles trabalhem, de modo a focar a questão das culturas jovens e populares no espaço-tempo escolar em tela. Entre as discussões a serem desenvolvidas, inclui-se a problematização dos efeitos de realidade que tais identificações oportunizam, o que inclui as relações entre diferença e desigualdade que se favorecem a partir desses processos. Destacam-se, entre as interlocuções teóricas a serem desenvolvidas, as teorizações de Hommi Bhabha, na problematização das noções de cultura, diferença e pertencimento cultural; Chantal Mouffe, Ernesto Laclau e Stuart Hall, para pensar os processos discursivos hegemônicos de fixação de sentidos, de identidade e de diferença; e as proposições de Stephen Ball sobre o ciclo contínuo das políticas curriculares e dos diferentes contextos que dele participam.