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Programa de Pós-Graduação em Educação - ProPEd

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DIFERENÇA E DESIGUALDADE NA EDUCAÇÃO ESCOLAR DO JOVEM ADOLESCENTE: DESCONSTRUÇÕES

Neste projeto, focalizamos questões da diferença e da desigualdade que se fazem presentes na educação escolar do jovem adolescente, com destaque para o ensino médio regular, em continuidade aos estudos anteriormente desenvolvidos pela coordenadora da pesquisa, que abordaram essa mesma temática nos anos finais do ensino fundamental. Tenciona-se problematizar identificações atribuídas ao estudante jovem adolescente e à sua educação escolar, por parte de alunos e professores inseridos no ensino médio, em diálogo com os pesquisadores participantes da pesquisa. Para tanto, planejamos a realização de uma pesquisa-ação em colégio da rede pública estadual de ensino, e um estudo teórico-bibliográfico, que buscará mapear e problematizar a produção acadêmica recente acerca das questões da juventude. Dadas as amplas mobilizações juvenis que, desde 2013, têm ocupado ruas e escolas, em ativismo político tão plural quanto vigoroso, a formação e a participação política dos jovens mais jovens no âmbito da sua educação escolar constitui foco privilegiado no desenvolvimento desta proposta. Os projetos dos estudantes de pós-graduação e de graduação vinculados a esta pesquisa acompanham tal focalização, mas também se ocupam de outras manifestações da diferença e da desigualdade na educação escolar da juventude, com destaque para as questões de gênero e de orientação sexual. A concepção e o desenvolvimento das atividades da pesquisa serão informados pelo aprofundamento dos estudos já em andamento sobre a desconstrução, na proposta do filósofo Jacques Derrida, bem como na sua apropriação pelas teóricas feministas Joan Scott e Judith Butler. Destacam-se, em suas teorizações, argumentos que podem ser mobilizados para a desnaturalização e a contestação do etarismo historicamente consolidado, inclusive nas relações escolares, que opõe e hierarquiza jovens e adultos. Interessa também seu entendimento das identidades e significados como construções sociais performativas, isto é, como identificações e significações que se realizam – no sentido de serem entendidas como objetivamente reais – por meio de repetições/deslocamentos cotidianamente encenadas em múltiplos espaços-tempos, entre os quais, a nosso ver, figura com destaque a instituição escolar. O interesse por autores usualmente identificados com o pós-estruturalismo não implica, no entanto, desconsiderar as investigações e reflexões desenvolvidas em perspectivas críticas, sobretudo, estudos contemporâneos sobre a juventude e pesquisas sobre a educação escolar dos campos do Currículo, da Didática e da Sociologia, que serão lidos e recontextualizados a partir dos princípios político-epistemológicos da desconstrução. As discussões teórico-metodológicas terão relevo no projeto, na medida em que também se pretende contribuir para uma apropriação não relativista ou niilista das teorizações do pós-estruturalismo, que, apesar de tais riscos, julgamos potentes para responder, na pesquisa em Educação, a demandas teórico-políticas do nosso tempo que interpelam a escola, como, por exemplo, as reivindicações dos movimentos sociais pelo direito à diferença, ou questões epistemológicas que se colocam para a produção acadêmica a partir das viradas linguística e cultural do século XX.